O cuidado de longa permanência para pessoas idosas é um dos maiores desafios sociais do mundo. No Brasil, já são 33 milhões de pessoas com 60 anos ou mais e essa população deve dobrar até 2050. A pressão sobre as Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), especialmente as beneficentes, cresce a cada ano, enquanto o financiamento permanece muito abaixo das necessidades reais.

Esse debate ganhou destaque nacional quando o tema do ENEM 2025 foi “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”. Mas discutir envelhecimento sem discutir financiamento é ignorar uma das maiores dores das ILPIs: a captação de recursos. As pesquisas mostram que a sustentabilidade econômica ainda é o maior entrave para garantir cuidado seguro, contínuo e humanizado.

Financiamento como obstáculo: o que dizem as pesquisas

Um estudo publicado em 2024, denominado “Suficiência de financiamento das instituições de longa permanência: desafios às ofertas, gestão e políticas de cuidados”, demonstra que o financiamento das ILPIs brasileiras é historicamente insuficiente, afetando diretamente a qualidade dos serviços, a contratação de equipes de enfermagem e a manutenção das estruturas.

E mais, a pesquisa aponta que:

  • A maioria das ILPIs não possui fonte estável de recursos;
  • O cuidado direto ao idoso representa o maior custo fixo, mas não há política pública que cubra esse gasto;
  • A captação continua sendo a salvação e ao mesmo tempo o maior obstáculo das ILPIs.

Em complemento, outro estudo, o internacional “Funding options for long-term care services in Latin America (2025) faz uma comparação sobre o financiamento do cuidado de longa duração na América Latina, destacando que os países com melhores resultados combinam financiamento híbrido: público + privado + filantrópico.

Assim como a pesquisa brasileira, esta última reforça que:

  • Instituições são mais sustentáveis quando diversificam as fontes de financiamento;
  • Modelos de captação estruturada tornam a gestão mais resiliente;
  • A regulamentação clara é determinante para atrair doações e parcerias.

Os resultados das pesquisas falam diretamente com a realidade das ILPIs brasileiras, que historicamente dependem de repasses irregulares, doações e convênios burocráticos, e muitas vezes, insuficientes.

Por que ser tema do ENEM importa para as ILPIs

O fato de o ENEM ter escolhido o envelhecimento como tema não é apenas simbólico, é estratégico pois mostra que o tema entrou oficialmente na agenda nacional. O Brasil reconhece que envelhecer tem impacto econômico, social e estrutural e as políticas públicas precisarão acompanhar essa realidade, inclusive na área da assistência social.

Para as ILPIs, isso significa mais visibilidade, mais debate e maior urgência em estruturar captação de recursos com metodologia, planejamento e transparência.


2 ANOS DA LEI DA CHANCELA (Lei 14.692/2023): o maior marco do financiamento das Instituições Beneficentes

Em outubro de 2025, completou-se 2 anos da sanção da Lei 14.692/2023, conhecida como Lei da Chancela, que regulamenta a captação de recursos pelos Fundos dos Direitos da Criança, do Adolescente e da Pessoa Idosa.

A aprovação foi resultado direto da atuação estratégica do SINIBREF e da FENIBREF, que mobilizaram parlamentares, entidades e lideranças para retirar emendas, impedir retrocessos e garantir a sanção sem alterações.

O resultado você já sabe!

  • Segurança jurídica para captação pelas Instituições;
  • Possibilidades de financiamento;
  • Fortalecimento da rede filantrópica;
  • Previsibilidade para projetos, equipes e acolhimento.

Clique aqui e leia a trajetória completa!


Por que captar recursos é tão difícil para as ILPIs?

Falta de divulgação, desconhecimento, dificuldade de promoção, tudo isso, gestores sabem na prática. Mas tem mais, as principais dificuldades são:

Porque não tem uma política pública específica para o segmento

Talvez a primeira e mais importante solução seria um modelo nacional de financiamento contínuo. Você pode se perguntar, “E o Fundo Nacional do Idoso”? – O funcionamento do FNI não assegura um financiamento contínuo às Instituições, pois depende de doações (PJ e PF), já um modelo nacional de financiamento poderia permitir repasses automáticos ou estruturados. Portando, na prática, as ILPIS não têm um financiamento estruturado e sofrem com a imprevisibilidade para se sustentar.

Porque os custos assistenciais são considerados altos

Sem recursos assegurados e ainda com custos altos, essa é a realidade da ILPI brasileira. Custear profissionais como enfermeiros, cuidadores, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos entre outros, pode ter um alto custo. Sem falar em insumos como fraldas e medicação, além de alimentação, serviços como lavanderia, entre outros. A captação desestruturada pode não ser suficiente.

Porque faltam profissionais dedicados à captação

Muitas ILPIs não têm uma equipe comercial, de comunicação ou marketing para auxiliar na captação de recursos, afinal, é mais um custo para a Instituição.

Porque a qualificação para receber incentivos fiscais é baixa

A Lei da Chancela, por exemplo, ainda é pouco compreendida pelas instituições. O SINIBREF visando esclarecer o assunto cada vez mais, já realizou lives e disponibilizou diversos materiais sobre a Lei da Chancela. Sem falar que a equipe técnica do sindicato está sempre à disposição para as Instituições.

CONVITE:
Se a ILPI que você atua está com dificuldades financeiras ou de qualquer outra natureza? Fale com o SINIBREF, o sindicato patronal da categoria. Diversas Instituições têm o suporte do sindicato e conseguem superar as dificuldades por meio de uma assessoria jurídica especializada. Não hesite em contatar o seu sindicato.
Vamos andar juntos!
Central de Relacionamento📞(34) 3277-0400📩 financeiro@sinibref.org

4 formas de melhorar a captação de recursos

A partir de nossa experiência, selecionamos pelo menos cinco caminhos que podem driblar a falta de recursos e melhorar a sustentabilidade das ILPIs, são eles:

  1. Estruturar a captação como uma ação permanente

A captação de recursos não deve ser vista como uma ação emergencial, pelo contrário, deve ser estratégica, trabalhada constantemente.

2. Diversificar fontes

Como citado na pesquisa Funding options for long-term care services in Latin America, o modelo híbrido é considerado o ideal. Isso significa que os recursos devem vir de doações incentivadas e livres sim, mas a Instituição também deve buscar parcerias privadas, se capacitar e participar de editais, fundos públicos e estruturar eventos para tal fim.

3. Profissionalizar o comercial e a comunicação

Ter um comercial e uma comunicação integradas melhora a transparência, aumenta a confiança e atrai novos doadores.

4. Aproveitar incentivos fiscais

A Lei da Chancela trouxe segurança jurídica que faltava há anos, por isso ela deve ser bem aproveitada, foi uma luta ganha por nosso segmento, não desperdice a oportunidade.

A captação de recursos não é apenas sobrevivência e muito menos emergencial, captar recursos é sustentabilidade, planejamento e acima de tudo, é pensar no futuro. O SINIBREF segue ao lado das ILPIs e de todas as Instituições Beneficentes, Religiosas e Filantrópicas.

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