Filantrópicas ao redor do mundo e começa, ainda que timidamente, a ganhar espaço também no Brasil. Entender essa tendência pode representar uma virada na forma de comunicar, captar recursos, gerir processos e ampliar o impacto social.

Um relatório de 2025 da TechSoup em parceria com a Tapp Network, com base em respostas de mais de 1.300 profissionais de organizações sem fins econômicos, mostrou que 85,6% das instituições já estão explorando ferramentas de Inteligência Artificial. O número impressiona, mas revela também um desafio, apenas 24% já utilizam IA para escrita de projetos.

No Brasil, o cenário ainda está engatinhando. Uma pesquisa inédita realizada pelo Canal Sabiar, Instituto Beja e pelo Centro de Estudos em Administração Pública e Governo da FGV, com 414 organizações do campo social brasileiro, mostrou que a maioria das instituições utiliza IA principalmente em áreas operacionais, como comunicação e criação de conteúdo. Mas, 42% alegam dificuldade por falta de habilidades, por isso, aplicações mais estratégicas, como captação de recursos e gestão financeira, ainda são pouco exploradas. 

O desafio de manter as portas abertas

Quem está na gestão de uma Instituição Beneficente sabe que a sustentabilidade financeira é um desafio constante. Captar recursos exige muito mais do que elaborar um bom projeto: exige saber comunicar, planejar, organizar, ter uma boa gestão, provar credibilidade e, cada vez mais, capacidade de demonstrar impacto social de forma clara e mensurável.

A concorrência por editais públicos e privados cresceu e os critérios de seleção ficaram mais rigorosos. Fundos municipais, estaduais e federais, emendas parlamentares, incentivos fiscais, doações incentivadas e até captação internacional, existem e estão disponíveis, mas acessá-los exige preparo institucional. É nesse contexto que a Inteligência Artificial começa a aparecer como aliada. 

Como a IA pode ajudar na captação de recursos

A tecnologia não escreve projetos sozinha e não substitui a credibilidade que uma instituição constrói ao longo dos anos. Mas ela pode facilitar muito o trabalho de quem capta recursos.

Na prática, as aplicações mais relevantes incluem organização e análise de banco de dados de apoiadores e doadores, identificação de oportunidades de editais alinhadas ao perfil da instituição, segmentação de campanhas de captação para públicos específicos, personalização de comunicações com apoiadores e potenciais financiadores, automação de tarefas repetitivas que consomem tempo da equipe, produção de conteúdos institucionais e relatórios de prestação de contas, e apoio na análise de dados para tomada de decisões.

Abaixo, selecionamos 3 plataformas que auxiliam Instituições Beneficentes e Filantrópicas a rastrear a internet em busca de informações, são elas:


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Tecnologia não substitui gestão estratégica

Mas atenção, aqui está o ponto mais importante: nenhuma ferramenta tecnológica resolve o que uma gestão desorganizada não consegue sustentar.

Uma instituição que não tem planejamento institucional claro, que não define metas, que não organiza sua documentação, que não pratica transparência e não acompanha seus próprios indicadores terá dificuldade de captar recursos com ou sem Inteligência Artificial.

A IA pode potencializar o trabalho de uma instituição bem estruturada. Pode ajudar a organizar dados, identificar oportunidades, comunicar melhor o impacto. Mas ela amplifica o que já existe. Se a base é frágil, a tecnologia não constrói o que falta.

Governança, regularidade das documentações, indicadores de desempenho, transparência nas contas e liderança comprometida são os alicerces. A tecnologia é a alavanca.

Do mesmo modo, uma estratégia eficiente de captação de recursos vai muito além de usar uma boa plataforma ou dominar ferramentas digitais. Ela depende da credibilidade que a instituição construiu ao longo do tempo, da qualidade da prestação de contas, da capacidade de demonstrar impacto social de forma objetiva e da competência técnica para elaborar projetos competitivos.

Isso vale para editais públicos, fundos privados, emendas parlamentares, incentivos fiscais ou doações incentivadas. Em todos os casos, a instituição precisa chegar preparada.

IA na prática: como usar para responder um edital

Usar IA para captação de recursos não significa apertar um botão e receber um projeto pronto. O processo é interativo, exige ajustes e decisões humanas em cada etapa. A IA é uma parceira de escrita, não uma substituta.

Para demonstrar como isso funciona na prática, simulamos o uso do ChatGPT para ajudar uma instituição fictícia, a qual chamamos de “SINI Brasil” a responder perguntas de um edital de financiamento voltado para Organizações da Sociedade Civil que desenvolvem projetos para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.

O primeiro passo, antes de fazer qualquer pergunta à IA, é alimentá-la com informações detalhadas da instituição: missão, estatuto, área de atuação, público atendido, contexto social e principais resultados alcançados. Quanto mais contexto, melhor a resposta.

Acompanhe a simulação.

1º prompt enviado:

Além das informações inseridas no prompt, o gestor pode complementar o contexto compartilhando o link do site oficial da instituição e documentos, como a missão, visão e valores, histórico da organização, estatuto social, plano pedagógico, projetos já desenvolvidos, relatórios de atividades e materiais institucionais disponíveis.

Quanto mais informações relevantes e contextualizadas forem fornecidas, mais alinhadas à realidade da organização tendem a ser as respostas geradas pela Inteligência Artificial. Ainda assim, todo o conteúdo produzido deve passar por revisão e validação da equipe responsável antes de ser utilizado em projetos ou inscrições em editais

2º prompt:

Com a IA abastecida, o gestor pode ir para as perguntas do edital, nas quais ele têm dúvidas ou dificuldade para responder. O “Objetivo geral do projeto” é um campo presente em praticamente todos os editais.

Resposta da IA:

A IA retornou uma versão estruturada coerente, mas um pouco genérica, foram solicitados ajustes com o seguinte prompt:

Resposta da IA com ajuste:

Parceira, sim, substituta, não!

O que a simulação mostra é que a IA funciona bem quando o gestor sabe o que quer dizer e alimenta a ferramenta com informações reais da instituição. O processo é sempre colaborativo: a IA estrutura, o gestor corrige, contextualiza e humaniza.

Dados fragmentados, sem padronização ou digitalização, limitam muito o que a ferramenta consegue entregar. Para que seja uma força de transformação positiva, é preciso colocar propósito, colaboração e humanidade no centro de cada decisão.

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Novamente, lembre-se que antes de tudo, vem a organização administrativa, a  governança, a estruturação documental, a regularidade institucional, os indicadores, resultados e a transparência. A IA só vem depois. E tudo isso e muito mais você vai aprender na Live Gestão Institucional e Captação de Recursos.

Data: 18 de junho de 2026 | 14h30 às 16h30 | YouTube | Gratuito | Com certificado

O encontro abordará gestão estratégica nas instituições, planejamento institucional, sustentabilidade organizacional, principais fontes de captação de recursos, editais públicos e privados, fundos públicos, emendas parlamentares, incentivos fiscais, construção de projetos competitivos e prestação de contas.

[INSCREVA-SE GRATUITAMENTE]

Participe, aprenda o máximo que puder e depois, desfrute do conhecimento aplicando as estratégias com o auxílio da inteligência artificial para aumentar o engajamento da instituição e o impacto social que tanto buscamos.

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