
Pesquisa Doação Brasil 2024 revela a nova cara dos doadores brasileiros e o SINIBREF analisa como as Instituições podem motivar mais contribuições
04/09/2025
A quarta edição da Pesquisa Doação Brasil, realizada em 2024 pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) em parceria com o Instituto Ipsos, traz um retrato detalhado dos hábitos de doação dos brasileiros e, também, uma visão de quem doa mais. O estudo divulgado em agosto de 2025 mostra valores, motivações, barreiras e perfis dos doadores, com destaque para o crescimento do volume total doado, mesmo com menos doadores.
O SINIBREF analisou a pesquisa e a somou a outro dado importante já muito falado pelo sindicato, que é o potencial das doações via Imposto de Renda (IR), um recurso ainda pouco explorado que pode transformar o cenário do terceiro setor.
Panorama geral da doação
A pesquisa Doação Brasil 2024 realizou 1.500 entrevistas telefônicas assistidas por computador (CATI), dirigidas a brasileiros com mais de 18 anos e renda familiar acima de um salário-mínimo. A amostra possui abrangência nacional e é representativa das cinco regiões do país, os resultados têm como referência o Censo do IBGE de 2022 e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2024. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos.
A coleta foi realizada entre março e abril de 2025, abrangeu temas como motivação, frequência, formas de doação (bens, tempo ou dinheiro) e a confiança nas Instituições Beneficentes. Esta edição trouxe um capítulo especial dedicado às doações emergenciais, em resposta aos desastres ambientais ocorridos em 2024, como por exemplo, as enchentes ocorridas no Rio Grande do Sul.

De acordo com a pesquisa:
- 78% dos brasileiros com mais de 18 anos e renda acima de 1 salário-mínimo fizeram algum tipo de doação em 2024
Já quanto aos tipos de doações:
- 50% doaram dinheiro (sendo 43% doadores institucionais, ou seja, aqueles que doaram valores diretamente para Instituições, obras sociais e campanhas para calamidades). Houve um crescimento desde 2020, quando a taxa era de 41%
- 67% doaram bens como roupas, alimentos, objetos, entre outros (houve uma queda em relação a 2022, quando foi 75%)
- 33% doaram tempo trabalhando como voluntários
- Homens e mulheres doam praticamente na mesma proporção

Volume e valores
Em 2024, o brasileiro se mostrou mais solidário do que nunca, o valor total doado chegou em R$ 24,3 bilhões, número 64% maior em relação a 2022.
Isso, sem falar nas doações via Imposto de Renda, que juntando os Fundos da Criança e do Adolescente (FDCA), mais os Fundos da Pessoa Idosa (FDI), as doações totalizaram cerca de R$ 145,3 milhões.
As doações via IR representaram menos de 2% do total de doações em dinheiro levantadas pela pesquisa, mas o potencial segundo a Receita Federal poderia ter somado R$ 14,59 bilhões. É por isso que o SINIBREF bate na tecla das doações via IR.
O valor médio de doações que uma pessoa doa por ano aumentou de R$ 300 para R$ 480. Até famílias de 1 a 2 salários-mínimos passaram a doar valores médios entre R$ 151 e R$ 500.

Perfil das pessoas que doam diretamente para Instituições
O doador institucional é aquele que prefere realizar suas contribuições diretamente a uma Instituição. As regiões Norte e Nordeste lideram o ranking.
- 49% dos brasileiros que doam para Instituições são do Norte
- 44% são do Nordeste
- 43% Sudeste
- 41% Centro-Oeste
- 37% Sul
Os números representam a proporção de pessoas em cada região, que fizeram doações institucionais dentro da própria região.
O perfil do doador institucional ganhou novos contornos ao apontar dados que chamam atenção. Em 2022, na última pesquisa, doadores com ensino superior somavam 47%, no cenário atual, houve um aumento de 10 pontos percentuais, pessoas com ensino superior alcançaram 57%, o maior índice já registrado.
No quesito renda, os números também são expressivos: 63% dos doadores estão em famílias com mais de 8 salários-mínimos. Entre os de menor renda, porém, também há participação significativa: 27% das famílias com renda entre 1 e 2 salários-mínimos realizaram algum tipo de doação para Instituições, mostrando que a solidariedade é uma prática compartilhada independentemente da renda.
A religião continua desempenhando papel de destaque na mobilização. Os evangélicos lideram com 45% de doadores, seguidos pelos católicos, com 43%. Os ateus, ainda que abaixo da média nacional, registraram um crescimento alcançando 39%. Outras religiões, como espíritas e de matriz afro-brasileira, tiveram crescimento em patamares menores.

Motivações e barreiras para doar
Acreditar na causa é o que mais motiva o indivíduo. Mas fatores pessoais como fazer bem a si mesmo também é um fator de iniciativa.
- 91% doam por acreditar na causa
- 89% para fazer bem a si mesmo
- 87% porque sentem que podem fazer a diferença
- 81% porque confiam na instituição (uma alta de 6%)
| 81% das pessoas diz doar porque confia na entidade para a qual doa; colocando a confiança como aspecto decisivo para a doação. |
Já quanto às barreiras que impedem as pessoas de doar, muito está relacionado à desconfiança e à transparência (assunto no qual o SINIBREF falou recentemente):
- 50% apenas confiam nas Instituições
- 33% percebem clareza no uso dos recursos
- 49% já deixaram de doar após notícias negativas
| 49% das pessoas já deixaram de fazer doação, após saber de alguma notícia negativa relativa ao tema ou à Instituição. |
Outras motivações vêm de influência das redes de relacionamento do doador, como:
- Grupos comunitários/religiosos: 45%
- Família e amigos: 41%
- Redes sociais: 15%

Dentre os que doam por influência de conteúdos das redes sociais, o doador do Instagram é o que gera as maiores contribuições médias. Um doador que viu uma campanha no Instagram, doou em média R$ 1.322. O Linkedin ficou em segundo lugar, doando cerca de R$ 1.152 em média e o WhatsApp em terceiro com doações médias de R$ 1.033.
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Curiosidade Crianças e jovens são a única causa com a qual todos se importam no mundo. Segundo o Relatório Mundial de Doações, da World Giving Report de 2025 realizado em todos os seis continentes do mundo, perguntados sobre as causas finais em que as pessoas mais apoiam por meio de suas doações, crianças e jovens estão entre as 5 principais em todos os continentes. |
Situações Emergenciais
Em 2024, o Brasil ficou marcado por pelo menos três situações emergenciais a nível nacional: as enchentes no Rio Grande do Sul entre abril e maio, as secas prolongadas e os incêndios florestais no Pantanal, no Cerrado e na Amazônia. Essas situações foram as mais citadas no estudo.
Entre maio e abril, o Rio Grande do Sul sofreu uma das consideradas mais graves enchentes dos últimos 80 anos. Cerca de 2,4 milhões de pessoas foram atingidas em 478 municípios gaúchos. Cerca de 442 mil moradores tiveram que deixar suas residências.
Quanto aos incêndios e secas dos biomas, os números bateram recordes. Os focos cresceram em mais de 43% na Amazônia, 64% no Cerrado e 139% no Pantanal, segundo dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). As famílias perderam plantações, gados e moradias, comunidades ribeirinhas sofreram com a escassez de água potável, alimentos e com doenças respiratórias. E a população se engajou. De acordo com a pesquisa:
- 50% dos brasileiros doaram em algumas dessas emergências de 2024
- 10% afirmaram que só doam em situações emergenciais
- 41% doaram bens (alimentos, roupas, móveis, etc)
- 24% doaram dinheiro
- 14% tempo em atividades voluntárias
- 55% ajudaram emergências em outros estados que não o próprio

Perspectivas para o Futuro
As projeções são de que as doações aumentem cerca de 33%. As pessoas que afirmaram manter as doações em 2025 foram 41%. Entre os jovens de 18 a 29 anos, 51% disseram que querem contribuir mais.
Em síntese, a Pesquisa Doação Brasil 2024 mostra um público mais engajado, criterioso e disposto a doar valores maiores. Mas também reforça o que o SINIBREF já vem falando, é preciso aumentar a transparência para que o doador sinta-se mais confiante e motivado.
Lembrando ainda que ao lado de todo esse cenário, o Imposto de Renda representa uma oportunidade ainda pouco explorada que pode ajudar em muito no complemento das contribuições. Cabe às Instituições se engajarem e aproveitarem mais as campanhas de esclarecimento e incentivo do IR para potencializar as ações.
Os aprendizados mais relevantes do estudo nos revelam que houve sim uma queda na base geral de doadores, mas também uma qualificação maior das práticas de doação.Vem aumentando o número de doadores institucionais, a forma como a pesquisa chama pessoas que doam exclusivamente e diretamente para Instituições. E este público é de maior renda e escolaridade, com valores mais altos e critérios mais exigentes. A confiança deve ser o foco, afinal, o doador quer mais transparência e clareza antes de se comprometer. Com isso, o SINIBREF segue monitorando, capacitando as Instituições e compartilhando informações relevantes para nosso segmento.
