TJMG absolve homem por estupro de vulnerável e acende alerta nacional sobre proteção da infância

Decisão que reconheceu “formação familiar” entre homem de 35 anos e menina de 12 anos contraria Código Penal, ECA e jurisprudência do STJ e do STF. SINIBREF emite nota de repúdio e participa de mobilização nacional

Uma decisão da 9ª Câmara Criminal Especializada do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) gerou indignação nacional ao absolver, por maioria de votos, um homem de 35 anos acusado de estupro de vulnerável contra uma menina de 12 anos. O fundamento utilizado: a existência de “relacionamento marital consensual” e “formação familiar”.

O julgamento sob relatoria do desembargador Magid Nauef Láuar, contraria o Código Penal brasileiro, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF).

O caso e a decisão polêmica

O réu, condenado em primeira instância por manter relação sexual com a menina, com quem conviveu maritalmente e teve uma filha, teve sua absolvição decidida após a defesa recorrer alegando que, embora a conduta se encaixasse formalmente em estupro de vulnerável, não haveria “tipicidade material” diante das circunstâncias do caso.

Os magistrados aplicaram a técnica jurídica chamada “distinguishing” para afastar, excepcionalmente, a aplicação automática da jurisprudência do STJ, que condena esse tipo de união e a classifica como violência. A tese adotada pela corte mineira foi: “a presunção absoluta de violência pode ser afastada, em caráter excepcional, quando comprovado que a relação foi consensual, estável, com apoio familiar e resultou na formação de núcleo familiar”.

No voto, o relator destacou a “consolidação, superveniente aos fatos delitivos, de um vínculo afetivo e familiar” e a “manifestação de vontade da vítima, já em plena capacidade civil” como elementos centrais para a distinção. Com esse fundamento, o colegiado concluiu pela “inexistência de lesão material relevante à dignidade sexual da vítima”.

O que é o “distinguishing” e por que ele foi usado

A técnica do “distinguishing” permite que se afaste o entendimento vinculante de Cortes Superiores em razão de peculiaridades do caso concreto, buscando uma solução que considere as particularidades da situação. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a aplicação desse mecanismo tem sido adotada em outros julgados semelhantes, a desembargadora Kárin Emmerich, que teve voto vencido no caso, mencionou a existência de cerca de 20 decisões que utilizaram o mesmo entendimento.

O depoimento da vítima e o papel da família

A GloboNews teve acesso a um documento com a declaração da menina de 12 anos. O depoimento revela a participação da família no caso: “Ele sempre me tratou bem. Ele me trazia para Uberlândia, me levava ao shopping. Ele fazia compras. A gente ia ao supermercado e comprava cesta básica para a minha mãe”, relatou a garota.

A decisão também alcançou a mãe da adolescente, denunciada por omissão na condição de garantidora. Como o colegiado não considerou crime o ato principal, então também não puniu a mãe da criança por não ter impedido algo que juridicamente não foi reconhecido como crime.

A realidade dos números: 34 mil crianças em união conjugal no Brasil

Segundo dados do Censo Demográfico 2022 do IBGE, mais de 34 mil crianças e adolescentes de 10 a 14 anos viviam em união conjugal no Brasil em 2022. Cerca de 77% são meninas.

O Brasil aparece há anos entre os países com maior número absoluto de uniões precoces do mundo, fenômeno muito ligado à pobreza, gravidez adolescente, evasão escolar e desigualdade regional.

A decisão contraria o marco legal de proteção

Ao relativizar a violência sexual contra a criança, a decisão contraria o Código Penal, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ):

Artigo 217-A do Código Penal – Estupro de vulnerável

– Não existe “relacionamento consensual” com criança ou adolescente menor de 14 anos.

– O consentimento é juridicamente irrelevante.

– A vulnerabilidade e a violência são absolutamente presumidos pela lei.

Artigos 5º, 17º e 18º do ECA

– Impõem ao Estado o dever de garantir a dignidade, o respeito e a proteção integral de crianças e adolescentes contra qualquer forma de violência.

Jurisprudência consolidada do STJ

– O Superior Tribunal de Justiça já consolidou o entendimento de que experiência sexual prévia, suposto namoro e consentimento da vítima não excluem a configuração do crime de estupro de vulnerável (Súmula 593).

 – O Supremo Tribunal Federal também possui diversos precedentes afastando tais argumentos de defesa e mantendo a presunção de violência e a criminalização da conduta.

SINIBREF emite nota de repúdio e mobiliza rede de proteção

O Sindicato das Instituições Beneficentes, Religiosas e Filantrópicas da Paraíba (SINIBREF PB) emitiu nota pública de repúdio à decisão, enviada ao Conselho Estadual e ao Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA). Ambos os conselhos também emitiram suas notas de repúdio.

O SINIBREF e a FENIBREF (Federação Nacional das Instituições Beneficentes, Religiosas e Filantrópicas), junto com diversos segmentos de Organizações da Sociedade Civil e Conselhos de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, tanto nacional quanto estadual, estão unidos na luta pela proteção integral da criança e adolescente.

O papel das Instituições Beneficentes, Religiosas e Filantrópicas na proteção integral

As Instituições representadas pelo SINIBREF estão na linha de frente do acolhimento, proteção e promoção de direitos de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. São essas organizações que, diariamente, lidam com os impactos da violência sexual, do abandono, da exploração e de todas as formas de violação de direitos.

Casas de acolhimento, abrigos, centros de convivência, hospitais filantrópicos e instituições de assistência social atuam onde o Estado muitas vezes não alcança. São essas entidades que recebem as crianças vítimas de violência, que oferecem suporte psicológico, que reconstroem histórias e dignidade.

Por isso, decisões como a do TJMG não são apenas jurídicas, elas afetam diretamente o trabalho dessas instituições, que lutam para garantir que crianças sejam tratadas como crianças, e não como adultos capazes de “consentir” relações com adultos.

“As instituições mineiras representadas pelo SINIBREF MG vivenciam diariamente os impactos sociais, emocionais e de desenvolvimento enfrentados por crianças e adolescentes em contextos de risco, atuando com responsabilidade no acolhimento, na promoção de direitos, na conscientização social e no fortalecimento do 

Sistema de Garantia de Direitos”, destaca a Nota Pública do SINIBREF.

Assista o posicionamento da Diretora do SINIBREF e Presidente do Instituto Carrossel, organização que há 17 anos trabalha para prevenir e combater o abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes

Educação e conscientização: ações do SINIBREF vão além da representação

O SINIBREF não se limita à representação sindical. A entidade extrapola suas atribuições obrigatórias e atua ativamente na educação e conscientização sobre os direitos da criança e do adolescente. Entre as ações realizadas estão palestras, distribuição de exemplares do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e participação em fóruns de discussão sobre o tema.

Mobilização nacional: atos pelo Brasil

O caso gerou mobilização em todo o país. No último domingo, 22 de fevereiro, ocorreu uma reunião organizativa virtual que articulou o primeiro ato público em frente à sede do TJMG. Mulheres deixaram brinquedos e vestidos de criança no muro da instituição, com cartazes que diziam: “Criança não é mãe”, “Criança não é esposa”, “Criança não consente”.

Próximo ato em defesa das crianças pelo fim da violência sexual e pedofilia em Minas Gerais:

O Movimento de Mulheres Unificadas atuantes na RMBH está à frente do ato. O SINIBREF estará presente e convoca a todos, instituições, sindicatos, parceiros e toda a sociedade a somarem a essa mobilização

📅 Dia 25/02 (quarta-feira)

🕒 15h30 – Ato em frente ao TJMG (Av. Afonso Pena, 4001, Belo Horizonte, Minas Gerais)

🕒 17h30 – Ato na Praça Sete (cruzamento Av. Amazonas com Av. Afonso Pena, Belo Horizonte, Minas Gerais)

SINIBREF convoca: sua presença faz diferença

O SINIBREF se une à manifestação em Belo Horizonte, reafirmando seu compromisso com a defesa dos direitos humanos e da dignidade das crianças. Diante de decisões que afrontam a lei e a proteção integral, é nas ruas que a indignação ganha voz.

Criança não é esposa. Criança não consente.

O SINIBREF reafirma que a proteção integral constitui princípio constitucional irrenunciável, responsabilidade coletiva e permanente do Estado, da Sociedade e da Família. Proteger a infância e a adolescência não é apenas dever legal, mas compromisso ético e civilizatório.

A luta continua. E ela é de todos nós.

Leia a Nota Pública completa do SINIBREF aqui.

NOTA PÚBLICA Pela Proteção Integral às Crianças e Adolescentes

O SINIBREF INTER – Sindicato Interestadual das Instituições Beneficentes, Religiosas e Filantrópicas reafirma seu posicionamento firme e inegociável em defesa da proteção integral de crianças e adolescentes, princípio constitucional que orienta a atuação das instituições representadas e de toda a rede de proteção social.

O SINIBREF INTER manifesta repúdio à decisão da 9ª Câmara Criminal Especializada do Tribunal de Justiça de Minas Gerais que, por maioria de votos, absolveu homem de 35 anos acusado da prática do crime de estupro de vulnerável contra menina de 12 anos, sob o fundamento da existência de “relacionamento marital consensual”.

A legislação penal brasileira é expressa: a prática de conjunção carnal ou de qualquer ato libidinoso com menor de 14 anos configura crime, nos termos do art. 217-A do Código Penal, sendo estabelecida presunção absoluta de vulnerabilidade em razão da idade. Trata-se de norma de proteção da dignidade sexual de crianças e adolescentes, fundada no reconhecimento de que, nessa faixa etária, inexiste consentimento juridicamente válido.

A relativização dessa presunção legal contraria o sistema de proteção integral previsto no art. 227 da Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/1990), especialmente nos arts. 3º, 5º, 17 e 18, que asseguram prioridade absoluta e proteção contra qualquer forma de violência, exploração ou opressão.

As instituições representadas pelo SINIBREF INTER vivenciam diariamente os impactos sociais, emocionais e de desenvolvimento enfrentados por crianças e adolescentes em contextos de risco, atuando com responsabilidade no acolhimento, na promoção de direitos, na conscientização social e no fortalecimento do Sistema de Garantia de Direitos.

O SINIBREF INTER reafirma que a proteção integral constitui princípio constitucional irrenunciável, responsabilidade coletiva e permanente do Estado, da Sociedade e da Família e permanece ao lado das instituições que trabalham diariamente pelo cuidado, pela proteção e pela promoção da vida, reiterando que proteger a infância e a adolescência não é apenas dever legal, mas compromisso ético e civilizatório.

Brasília, 22 de fevereiro de 2026.

SINIBREF INTER
Sindicato Interestadual das Instituições Beneficentes, Religiosas e Filantrópicas

7 serviços que têm no mercado, mas que estão à disposição das Instituições no sindicato

Sua Instituição tem acesso a serviços que, no mercado, podem representar custos elevados ao longo do ano. Você está utilizando?

Muitas Instituições ainda não sabem o que têm à disposição por meio do SINIBREF, ou sabem, mas não acessam. E no final do mês, acabam pagando caro por serviços que já estavam ao alcance.

Você sabia que o SINIBREF oferece pelo menos 7 serviços de alto valor para Instituições Beneficentes, Religiosas e Filantrópicas, que se contratados no mercado, custam dezenas de milhares de reais por ano? Mas aqui, eles estão disponíveis, você só precisa entrar em contato para acessá-los.

1. ORIENTAÇÃO JURÍDICA E TRABALHISTA ESPECIALIZADA

Instituições podem tirar dúvidas sobre CCT, rescisões, férias, obrigações legais e direitos trabalhistas com nosso departamento jurídico. A equipe de advogados do SINIBREF oferece apoio jurídico estratégico para decisões seguras e, adivinha? Está disponível, é só procurar.

No mercado, uma consultoria como essa costuma ser cobrada por hora ou por contrato, variando conforme complexidade e região. Sem falar na contratação contínua, no qual valores devem ser desembolsados mensalmente. Mas isso, lá fora, no SINIBREF, está à disposição de todas as Instituições.

2. REPRESENTAÇÃO NAS NEGOCIAÇÕES

Voz ativa em Brasília e nos estados no âmbito da representação sindical patronal, bem como intermediação institucional em conflitos coletivos. Sim, este serviço também está ao seu alcance, use a seu favor.

No mercado: R$ 5.000 a R$ 15.000 por negociação coletiva. No SINIBREF, sem custo adicional às Instituições representadas..

3. SUPORTE PERSONALIZADO EM GESTÃO, FINANÇAS E RELACIONAMENTO

Atendimento direto para as necessidades das Instituições. Consultorias especializadas com diagnósticos e soluções em gestão, finanças e processos internos. Divulgação de guias, boletins, notícias, editais e materiais técnicos atualizados. Disponível sempre que precisar.

4. CAPACITAÇÕES, LIVES E TREINAMENTOS GRATUITOS

Legislação, gestão, captação de recursos, práticas administrativas, lives, implantação da NR-1, cursos com certificado para qualificar sua equipe, distribuição de materiais e muito mais. Para os treinamentos e lives, basta se atentar às nossas comunicações por e-mails e redes sociais, se inscrever e participar gratuitamente.

Em quantas lives você ou alguém da sua equipe esteve conosco em 2025? Prepare-se: em 2026, vem muito mais!

5. VISIBILIDADE E NETWORKING ESTRATÉGICO

Participe ativamente e receba prêmios, certificados e conheça cases de sucesso. Tudo para aumentar a conexão com outras Instituições, trocar experiências e construir parcerias. 

6. FERRAMENTAS DIGITAIS E MODELOS PRONTOS

Plataformas com informações centralizadas, alertas automáticos, modelos de documentos trabalhistas e administrativos prontos para agilizar processos internos. Requerimentos, comprovantes, atas e muito mais, tudo acessível facilmente no site do sindicato.

No mercado, um profissional cobraria em torno de R$ 200 a R$ 1.500 por documento. No SINIBREF, custa zero reais para as Instituições.

7. CONVÊNIOS E DESCONTOS EXCLUSIVOS

Condições especiais em cursos, seguros e consultorias através de nossa parceria com o Instituto de Empreendedores e Gestores Sociais (IEGS). 

TUDO ISSO ESTÁ DISPONÍVEL ÀS INSTITUIÇÕES REPRESENTADAS PELO SINIBREF. MAS VOCÊ PRECISA ACESSAR.

Muitas Instituições deixam esses serviços de lado, e acabam contratando fora o que já tinham direito. Aqui, está ao seu alcance. Basta procurar.

Dúvidas sobre como acessar algum desses serviços?

Entre em contato conosco. Estamos aqui para apoiar sua Instituição.

Central de Relacionamento 

(34) 3277-0400 fixo e WhatsApp

financeiro@sinibref.org

*Os dados fornecidos para contato serão utilizados exclusivamente para atendimento institucional, nos termos da legislação de proteção de dados.

Ser adimplente com o SINIBREF é mais do que cumprir regras: é fortalecer sua Instituição, proteger sua missão e ampliar sua capacidade de transformar vidas. É ter mais segurança, confiança e excelência em cada passo da sua trajetória.

Conte com o SINIBREF, o seu sindicato.

A NR-1 ESTÁ TIRANDO O SEU SONO?

 

Se a nova NR-1 tem gerado dúvidas e insegurança para você, gestor de uma Instituição Beneficente, Religiosa ou Filantrópica, temos uma boa notícia: a solução já está na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) do SINIBREF, homologada no Ministério do Trabalho. Agora, a Instituição, na execução dos benefícios PAF e BEI, estará cumprindo a NR-1, por meio do acesso a esses benefícios na CCT de forma estruturada, documentada, com ferramentas que atendem exatamente às exigências da NR-1, sem necessidade de contratar empresas externas ou assumir custos adicionais.

 

Por meio do PAF e do BEI é possível à Instituição acessar a gestão digital dos riscos psicossociais, mapear, monitorar e mitigar os fatores na plataforma do sistema eletrônico. Esses benefícios, além de assegurar direitos mitigados nas negociações coletivas anteriores, atendem as obrigações pertinentes ao cumprimento da NR-1. A plataforma digital  oferece uma administração completa da saúde ocupacional, incluindo a gestão de dados admissionais, demissionais, mudanças de cargos e exames periódicos, auxiliando a Instituição no controle do Programa de Gerenciamento dos Riscos Ocupacionais e na inserção no eSocial.

 

Enfim, a CCT traz mais tranquilidade e economia, dispensa a contratação de empresas especializadas, garante o cumprimento integral da NR-1, permite uma adequação imediata e segura, amplia a proteção aos trabalhadores e evita  sanções previstas impostas pela norma à Instituição.

A nova NR-1 entra em vigor a partir de 26 de maio, mas as organizações que já cumprem a CCT podem iniciar a adequação imediatamente, com segurança e respaldo sindical.

 

Cuidado com a saúde mental agora é obrigatório!

 

A inclusão da saúde mental como componente obrigatório da gestão de riscos ocupacionais representa uma mudança estrutural na forma como as organizações devem cuidar de seus colaboradores. A partir de maio de 2026, a fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego passará a verificar essas exigências, e o não cumprimento pode gerar multas e punições administrativas.

 

É importante destacar que a adequação à NR-1 é uma obrigação legal de todas as organizações, independentemente de seu porte ou segmento. As Instituições Beneficentes, Religiosas e Filantrópicas precisam implementar o Programa de Gerenciamento de Riscos e avaliar os riscos psicossociais de forma integral, conforme determina a legislação.

 

A solução que o SINIBREF traz: os benefícios da CCT oferecem apoio adicional para as Instituições

 

Lembrando que não são todas as CCTs que abrangem os benefícios abaixo (PAF e BEI), verifique se a Instituição possui na CCT ambos ou apenas um deles! Nossa Central de Relacionamento pode ajudar com isso.

 

Além de garantir conformidade trabalhista, a CCT estabelece a obrigatoriedade de contratação de seguros e assistências para os empregados ativos, oferecendo camadas adicionais de proteção tanto para os colaboradores quanto para a gestão institucional.

 

Entre essas proteções garantidas na Convenção Coletiva de Trabalho, destacam-se:

 

  1. Programa de Assistência ao Trabalhador e à Família (PAF), que inclui como complemento o PASMI (Programa de Assistência em Saúde Mental Integrada)
  2. Bem-Estar Integral (BEI), o Seguro Bem-Estar Ouro (SegBem Ouro). Esses benefícios e seus complementos oferecem uma série de ferramentas que auxiliam no cuidado com a saúde mental e física dos colaboradores, um dos focos centrais da norma atualizada, e que atendem diretamente às suas exigências.

 

As vantagens disponíveis no PASMI incluem:

 

O PASMI é um programa estruturado, contínuo e documentado de assistência em saúde mental que atende às obrigações da NR-1 sobre riscos psicossociais.

 

Núcleo Emocional e Psicossocial (NEP):

✅ Psicologia clínica com agendamento  

✅ Psiquiatria (avaliação, acompanhamento e prescrição)  

✅ Telemedicina  

✅ Linha de apoio emocional 24 horas

✅ Protocolos de acolhimento  

✅ Prontuário psicológico digital  

✅ Acompanhamento de casos críticos  

✅ Evidências documentadas para auditorias e fiscalizações  

 

Núcleo Compliance NR-1 Digital:

Este núcleo conecta todos os benefícios do PASMI às exigências técnicas e legais da NR-1.

 

✅ Avaliação Psicossocial Online automatizada e segura   

✅ Coleta anônima de dados via qualquer dispositivo conectado à internet  

✅ Triagem automatizada com pontuação de risco (baixo / médio / alto)  

✅ Relatórios individuais sigilosos + relatórios corporativos anônimos  

✅ Painel administrativo para RH e CIPA em tempo real  

✅ Inventário de riscos digital, atualizado e auditável

✅ Planos de ação baseados em resultados reais

✅ E mais!

 

Com o Núcleo Compliance NR-1 Digital, a Instituição cumpre automaticamente a NR-1, pois identifica problemas antes que se tornem crises.

 

Já o Seguro Bem-Estar Ouro (SegBem Ouro):

 

É um benefício corporativo que vai além do cumprimento legal da NR-1, promovendo saúde integral, bem-estar e gestão estratégica de riscos psicossociais.

 

Gestão de Riscos Psicossociais (NR-1):

✅ Plataforma exclusiva para mapear, monitorar e mitigar riscos psicossociais  

✅ Diagnósticos precisos, indicadores de evolução e relatórios gerenciais  

✅ Apoio direto na atualização do PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos)  

✅ Conformidade legal, auditorias e melhoria contínua do clima organizacional  

 

Bem-Estar Físico, Mental e Emocional

✅ Acesso a mais de 30 mil academias no Brasil  

✅ Estúdios e mais de 60 aplicativos de bem-estar (treinos, meditação, nutrição, hábitos saudáveis)  

✅ Kit Acolhimento: apoio com Assistente Social e itens de conforto em casos de luto  

✅ E muito mais!

 

Lembre-se: os benefícios equipam a Instituição quando utilizados e disponibilizados, ou seja, quando a organização cumpre a CCT.

 

O SINIBREF já alertou sobre o tema ainda em 2025. Relembre o que muda com a nova NR-1

 

Em abril de 2025, o SINIBREF publicou no site material explicativo sobre a NR-1, orientando as Instituições sobre as mudanças, prazos e impactos práticos da norma. O conteúdo trouxe informações para que gestores pudessem se preparar com antecedência.

 

Relembre o conteúdo publicado e saiba as exigências da norma aqui: Entenda a importância da norma que fundamenta a segurança e a saúde no trabalho e saiba como se adequar às novas exigências

 

Desde então, o SINIBREF acompanhou o debate, esclareceu dúvidas e ofereceu suporte técnico e jurídico às Instituições representadas. Com a prorrogação do prazo para maio de 2026, reforçamos: há tempo para se organizar, mas é preciso agir agora.

 

Baixe o Guia Prático da NR-1 gratuitamente aqui

 

O SINIBREF segue comprometido em orientar, apoiar e simplificar o cumprimento das normas, para que a Instituição possa focar no que realmente importa: sua missão social.

 

Respire aliviado. A solução para a NR-1 já está ao seu alcance. Em caso de dúvidas, nossa equipe está à disposição para orientar.

Senado aprova criação do Fundo Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência

O autor do projeto, Paulo Paim, com o relator, Plínio Valério, na reunião. Foto: Agência Senado

 

Projeto que permite dedução de doações no Imposto de Renda foi aprovado por unanimidade na CAE e segue para a Câmara dos Deputados

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal aprovou o Projeto de Lei 552/2019, que institui o Fundo Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência e autoriza a dedução fiscal de doações realizadas aos fundos controlados pelos Conselhos de Direitos da Pessoa com Deficiência. A votação foi unânime, com 20 votos favoráveis.

O projeto, de autoria do Senador Paulo Paim (PT-RS), tramitava desde 2019 e representa uma importante conquista para as políticas públicas de inclusão no país. Com a aprovação na CAE, a matéria agora segue para tramitação na Câmara dos Deputados.

Atuação do SINIBREF foi decisiva

A aprovação do PL 552/2019 ocorreu há poucos dias após a reunião estratégica em Brasília, quando o diretor do SINIBREF, Beto Hudson, e o assessor parlamentar Pedro Rivas se reuniram com o Senador Paulo Paim para tratar da criação do Fundo Nacional e da renúncia fiscal no Imposto de Renda. Na ocasião, o projeto ainda aguardava deliberação na Comissão de Assuntos Econômicos.

Durante o mesmo período, a comitiva do SINIBREF também foi recebida pelo Senador Renan Calheiros, presidente da CAE, que se comprometeu a pautar o PL 552/2019 para votação na Comissão. O Senador cumpriu o compromisso assumido, levando a matéria à deliberação logo após o parecer favorável do relator, Senador Plínio Valério (PSDB-AM).

Como funciona o projeto

O PL 552/2019 permite que pessoas físicas e jurídicas destinem parte do Imposto de Renda devido, com dedução fiscal, para fundos controlados pelos Conselhos de Direitos da Pessoa com Deficiência. O mecanismo é semelhante ao já existente para fundos da criança e do adolescente e fundos do idoso.

Com vigência prevista até dezembro de 2029, o projeto fortalece o financiamento de políticas públicas voltadas às 18 milhões de pessoas com deficiência no Brasil. Os recursos captados pelos fundos poderão ser aplicados em projetos de inclusão, acessibilidade, educação, saúde e demais ações que promovam os direitos dessa população.

Tramitação e próximos passos

O PL 552/2019 foi apresentado em fevereiro de 2019 e passou pelas comissões de Direitos Humanos (CDH) e de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal. Na CDH, a matéria foi aprovada com parecer favorável da Senadora Mara Gabrilli, que apresentou emendas acolhidas pelo texto.

Durante a tramitação na CAE, o relator Senador Plínio Valério incorporou ajustes ao projeto, incluindo a emenda do Senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR), que atualizou o prazo de vigência das deduções fiscais para 2029, garantindo maior tempo de aplicação do benefício.

O Senador Paulo Paim destacou a importância da aprovação e agradeceu aos parlamentares que contribuíram para o avanço da matéria. “São 18 milhões de pessoas com deficiência no nosso país. Esse projeto representa esperança e compromisso com a inclusão. Agora, o debate continua na Câmara dos Deputados, onde seguiremos construindo os entendimentos necessários”, afirmou o autor.

Relevância para as Instituições

Para as Instituições Beneficentes, Religiosas e Filantrópicas representadas pelo SINIBREF, a criação do Fundo Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência abre novas possibilidades de captação de recursos para projetos e serviços destinados a esse público.

Muitas Instituições já atuam na promoção dos direitos das pessoas com deficiência, oferecendo serviços de educação especial, reabilitação, inserção profissional e apoio às famílias. Com a possibilidade de captação via renúncia fiscal do Imposto de Renda, essas organizações terão uma fonte adicional e sustentável de financiamento para ampliar e qualificar suas ações.

A matéria agora seguirá para análise na Câmara dos Deputados, onde o SINIBREF continuará acompanhando sua tramitação e dialogando com parlamentares para garantir sua aprovação final.

Contabilidade em ILPIs: onde estão os erros e como corrigi-los

Contador(a),

Sabemos que as Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) enfrentam um desafio contábil recorrente, que é a mensuração correta do custo por residente. Sem esse indicador, a gestão e a contabilidade fica “no escuro” para precificação de convênios, captação, prestação de contas e tomada de decisão.

Pesquisas mostram a dificuldade de separar custos diretos e indiretos e de adotar um método de rateio por leito/dia, o que distorce o custo assistencial e a análise de desempenho.

No cenário internacional, o relatório Health at a Glance (OCDE), em português, “Panorama da saúde” reforça que transparência de custos por usuário é condição para sustentabilidade do cuidado de longa duração. Sem isso, o financiamento tende a ficar sempre abaixo do necessário.

Onde costuma dar errado

Os principais erros acontecemm na estruturação dos custos e na ausência de dados que podem ser facilmente obtidos:

1. Na mistura de custos de naturezas diferentes, como por exemplo, unir os custos de enfermagem, cuidadores e medicamentos é correto, mas somá-los com custo de alimentação, limpeza e lavanderia, acaba dificultando o orçamento e o detalhamento de quanto cada serviço realmente custa. Por isso, o ideal é separar por categorias.

2. Nos rateios (ex.: energia, lavanderia, RH) sem base operacional (leito-dias, kg de roupa, horas trabalhadas). Para entender melhor, um salário é calculado conforme as horas trabalhadas, da mesma forma deve ser com os rateios, a conta de energia pode ser calculada conforme o número de leitos/idosos. A lavanderia, conforme a quantidade de quilos de roupas lavadas por mês. Para todos os custos deve-se ter uma base de cálculo.

3. Na ausência de métricas: ocupação média, custo por residente/dia, custo por grau de dependência, giro de estoques. Para realizar os itens 1 e 2 acima, é necessário que se tenha métricas.

4. Nos medicamentos/insumos lançados como “despesa geral”, inviabilizando rastreio por residente ou por ala. ILPIs que registram materiais como fraldas, medicação e outros de forma geral e não por residente/idoso, não se sabe os números que cada residente e ala consome de fato. Além de tornar inviável o cálculo individual, a Instituição não sabe quantificar os desperdícios e nem faz a prestação de contas corretamente.

Um estudo internacional com foco global chamado “Determinants of the functionality of cost accounting systems in social welfare organizations: Exploratory study using cluster analysis” (Ahmad & Khan, 2024) analisou 244 Instituições de Assistência Social de Longa Permanência. A pesquisa revelou que quase 60% das Instituições limitavam seu sistema de contabilidade de custos à simples comparação orçamentária ou à comparação com resultados passados. Esse dado mostra que a maioria das entidades ainda não utiliza métodos estruturados de custeio que permitam identificar o custo real por residente, por ala ou por tipo de serviço, o que compromete tanto a gestão quanto a transparência dos resultados.

Os pesquisadores concluíram que:

As organizações que têm um sistema funcional de custeio apresentam melhor desempenho, maior uso da contabilidade para a tomada de decisão e níveis mais altos de eficiência e sustentabilidade.

Esse achado tem implicações diretas para as ILPIs e demais Instituições Beneficentes. A alta proporção (aproximadamente 60%) de organizações que usam apenas comparações simples demonstra que muitas ILPIs estão sem mensuração adequada de custos, o que afeta o cálculo por residente, por leito ou por ala, e, consequentemente, a clareza nos relatórios contábeis exigidos por convênios e financiamentos.

O estudo destacou ainda que o alinhamento entre estratégia institucional e contabilidade de custos mostra que o contador não é apenas quem “fecha as contas”, mas quem atua como peça-chave para a sustentabilidade da Instituição, ajudando-a a se tornar mais eficiente, captar recursos, demonstrar valor e cumprir as exigências legais e de financiamento público.

Por onde começar

Você pode até achar que este trabalho interno não é responsabilidade da contabilidade, mas um bom contador pode orientar e direcionar a Instituição e realizar este trabalho em conjunto com a administração. Pra começar, a recomendação é:

1) Pare de misturar os custos

Separe as despesas por categorias, exemplos:

Assistência  ➡️ enfermagem, fisioterapia, terapia etc.

Alimentação ➡️ nutrição, cozinha, alimentos, gás, refeições.

Farmácia ➡️ insumos, fraldas, medicamentos, produtos de higiene etc.

Zeladoria ➡️ lavanderia, limpeza, manutenção, água, energia, internet, etc.

Administrativo ➡️ salários, contabilidade, comunicação, doações, eventos, captação de recursos.

2) Separe custos diretos x indiretos

Dentro das ILPIs é comum que os residentes sejam classificados por grau de dependência e cuidados. Neste cenário, o mais recomendável é que os custos de cada residente sejam separados, aí entram fraldas, medicações, horas assistenciais que determinados profissionais dedicam ao residente, entre outros.

3) Adote sistemas de contabilidade de custos adaptados ao segmento da beneficência e filantropia

O estudo enfatiza que o modelo empresarial tradicional não serve totalmente para as Instituições Beneficentes e Filantrópicas. É preciso customizar os centros de custos (assistência direta, alimentação, hotelaria, enfermagem etc, para evitar o que citamos no tópico “onde costuma dar errado”) conforme a natureza do serviço prestado.

4) Use dados gerenciais e não apenas fiscais

Contadores devem apoiar a análise de desempenho e sustentabilidade, não apenas o cumprimento de exigências legais. A recomendação é integrar contabilidade financeira + contabilidade de custos + indicadores de impacto social.

5). Participe de treinamentos e alinhamento com os gestores 

Um dos principais achados foi que a falta de diálogo entre a contabilidade e a gestão torna os sistemas ineficazes. Contadores devem participar ativamente das decisões sobre orçamentos, captação, uso de recursos e treinamentos oferecidos. O SINIBREF se orgulha em ver a participação constante de contadores em nossas lives.

6) Automatize e use de planilhas padronizadas

O estudo sugere implementar sistemas simples, mesmo que sejam planilhas, mas com padronização dos critérios de rateio e registro de despesas diretas e indiretas.

7) Transforme a contabilidade em instrumento de transparência e governança

O contador precisa atuar como consultor interno da Instituição, ajudando a demonstrar eficiência e credibilidade diante de órgãos públicos, doadores e parceiros.

O que o SINIBREF pode fazer por você

Como o próprio estudo mostrou, gerenciar financeiramente uma Instituição é um desafio. A rotina contábil é diferente de organizações privadas e vai além de contas e números, ela lida com incertezas, variáveis, doações, repasses e claro, a transparência de cada centavo que entra e sai. Ser contador de uma Instituição Beneficente, Religiosa ou Filantrópica exige responsabilidade social, estudos contínuos, tendo em vista que nosso segmento está sempre em pauta e principalmente, alinhamento com a gestão e os sindicatos.

É aí que entra o SINIBREF, somos o sindicato patronal das Instituições Beneficentes, Religiosas e Filantrópicas e temos como dever estar lado a lado também dos contadores. Mais do que representar, nossa missão é atuar como parceiro estratégico. Por isso, a atuação nacional e reconhecida do SINIBREF oferece constantemente capacitações, lives educativas, debates, orientação jurídica, trabalhista  e espaço aberto para comunicação institucional visando o fortalecimento das Instituições e garantia de seus direitos.

O trabalho do contador é mais do que manter as contas em dia, é permitir a continuidade de um trabalho social que afeta milhões de pessoas em nosso país.

Contador, conte com o SINIBREF.

Veja mais:

Reforma Tributária e as Instituições Beneficentes: o que muda?

Se você trabalha em uma Instituição de assistência social, saúde ou educação, ou em qualquer outra organização sem fins econômicos, a pergunta que não quer calar é: o que a nova Reforma Tributária significa para nós?

Neste texto, vamos desmistificar o tema e responder às 5 perguntas mais importantes sobre o futuro das Instituições Beneficentes e Filantrópicas com a reforma. Vamos lá?

O que a Reforma Tributária prevê?

Imagine que, hoje, para pagar os tributos sobre o consumo, uma empresa precisa lidar com cinco “boletos” diferentes, cada um com sua própria regra complexa. A Reforma Tributária propõe acabar com essa confusão.

A ideia é substituir esses cinco tributos federais, estaduais e municipais — PIS, COFINS, IPI, ICMS e ISS — por apenas dois novos:

  • Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), federal.
  • Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), estadual e municipal.

É como trocar cinco regras diferentes por apenas uma. O objetivo principal é simplificar o sistema, acabar com a burocracia e, com isso, tornar a economia mais competitiva.

Em que pé está o andamento da reforma e quais os próximos passos?

A Reforma avança por meio de etapas. Uma vez que ela foi sancionada, agora entra a fase em que leis complementares e normas infralegais precisam ser aprovadas e regulamentadas para que a reforma entre em vigor. Os próximos passos são:

Aprovação da Emenda Constitucional 

A parte principal da reforma já foi aprovada. O Congresso Nacional deu o aval para a Emenda Constitucional, que é como a “espinha dorsal” da mudança.

Leis Complementares

Agora, faltam as chamadas Leis Complementares. Já temos a Lei Complementar 214/2025, que regulamenta o IBS e a CBS, e tramita no Congresso o Projeto de Lei Complementar n.º 108, que, entre outros assuntos, cria o Comitê Gestor do IBS.

Discussão e Regulamentação

Os próximos passos são a votação da Lei Complementar e os fóruns de regulamentação infralegal no âmbito da Receita Federal do Brasil, que já vêm acontecendo.

Quais obrigações acessórias e fiscais tendem a mudar?

As obrigações acessórias são deveres burocráticos, que servem para prestar contas ao Fisco e permitir fiscalização. Se a Instituição não cumprir, corre o risco de levar multas, mesmo que tenha pago os tributos. No caso da nova reforma, ficaram assim:

Digitalização total

A reforma elimina a “guerra fiscal” entre os estados e passa a tributar o consumo no destino (onde o bem ou serviço é consumido), e não mais na origem.

Nota Fiscal Eletrônica (NF-e)


Será exigida NF-e para todas as operações.

Proposta da FENIBREF


A FENIBREF apresentou proposta para adequar a realidade das instituições imunes. Defendeu que seja válido o documento contábil para comprovar o fato gerador, dispensando regimes especiais ou cadastros fiscais típicos de empresas.

Isso significa que o controle fiscal será muito mais rigoroso e transparente. Se a Instituição ainda usa processos manuais, é hora de se preparar: o futuro é 100% digital.

Há risco de aumento de custos para as Instituições?

A resposta curta é: sim, há risco. Embora a reforma visa simplificar, pode trazer aumento de custos se não houver tratamento diferenciado. Historicamente, nosso segmento possui isenções para focar em suas finalidades.

Se as normas não garantirem regimes específicos para as entidades filantrópicas, elas podem ser tratadas como empresas comuns, com aumento da carga tributária. Por isso, acompanhar as normas é crucial para diminuir esse risco.

Quais medidas de prevenção e planejamento podem ser tomadas desde já?

A melhor prevenção é se antecipar, afinal, não é mais necessário esperar. Os três passos abaixo podem a Instituição um passo à frente das mudanças:

  • Diagnóstico Fiscal
    Mapeie tributos, processos financeiros e operacionais.
  • Apoio Especializado
    Conte com assessoria jurídica e contábil especializada no Terceiro Setor.
  • Organização Interna
    Organize fluxos de caixa, doações, receitas e despesas para a transição digital.

Como o SINIBREF acompanha a reforma e orienta as Instituições?

O SINIBREF como o sindicato patronal legal das Instituições Beneficentes defende juridicamente, politicamente, capacita, informa, assessora, articula com especialistas e fortalece a categoria. Em resumo:

Monitoramento Ativo

O SINIBREF acompanha cada passo da tramitação de leis e regulamentos, participando de discussões e diálogos com o governo e o Congresso.

Representação do Segmento

Trabalha para garantir que a voz das instituições seja ouvida e que os riscos de aumento de custos sejam minimizados.

Suporte e Orientação

Gera conteúdos, guias e treinamentos para preparar as instituições.

Principais pontos da Reforma para o Terceiro Setor

O sistema atual é considerado um dos mais burocráticos do mundo, com legislações diferentes em cada esfera de governo, disputas judiciais constantes e a chamada “guerra fiscal” entre estados e municípios. Com isso, a nova reforma promete simplificar, reduzir custos administrativos, padronizar regras, trazer mais transparência e dar maior previsibilidade às Instituições. 

Simplificação Tributária: os cinco tributos atuais dão lugar a dois. Saem de cena: PIS (Programa de Integração Social), COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e ISS (Imposto Sobre Serviços).

Eles serão substituídos por: CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): federal e IBS (Imposto sobre Bens e Serviços).

Tributação no Destino: a cobrança de impostos passa a ser feita onde o bem ou serviço é consumido, e não mais onde foi produzido. Isso elimina a guerra fiscal entre estados e municípios, trazendo mais equilíbrio e justiça na arrecadação.

Digitalização Completa: todas as operações precisarão ser registradas digitalmente, com emissão de nota fiscal eletrônica. O controle será mais rigoroso, e as instituições terão de investir em organização contábil e tecnológica para se adaptar.

Necessidade de Regimes Especiais: como nosso segmento possui imunidades e isenções constitucionais, será essencial garantir regimes diferenciados para que as entidades não sejam tratadas como empresas comuns. O risco, se isso não for assegurado, é o aumento da carga tributária para as instituições beneficentes.

Impactos potenciais no dia a dia das Instituições

Na prática, as Instituições vão sentir os impactos da reforma em três pontos principais. Primeiro, será preciso investir em tecnologia, já que todas as operações deverão ser feitas com nota fiscal eletrônica (NF-e). Depois, virá a revisão dos processos internos, pois será necessário ajustar o fluxo financeiro e operacional ao novo modelo.

E o terceiro ponto é que as Instituições precisarão investir na capacitação das equipes, para que todos estejam preparados para  lidar com as novas regras e sistemas.

Próximos passos e recomendações finais

A Reforma Tributária marca um momento de transformação para nosso segmento,e para atravessar essa transição com segurança, as Instituições precisam se adaptar às mudanças.

Por isso, como próximos passos, pode ser importante buscar consultoria especializada, realizar um diagnóstico fiscal, acompanhar o cronograma de implementação, participar dos fóruns de discussão e, claro, buscar informações junto ao SINIBREF. Assim, vamos juntos assegurar a continuidade da missão social que exercemos.

Por Leonardo Castro

Advogado Tributarista SINIBREF

ECA Digital: lei contra a adultização de crianças na internet é sancionada!

Vídeo viral do influenciador Felca no mês passado sobre a adultização de crianças na internet, para fins de monetização, denunciou a exploração infantil, impulsionou o debate público, gerou projetos de lei no Congresso e, agora, resultou na criação do “ECA Digital”. O SINIBREF relembra sua atuação pela proteção da infância e reforça o papel das Instituições na transparência e acolhimento.

A exploração de crianças e adolescentes na internet, a “adultização” tornou-se pauta no mês passado devido ao vídeo do influenciador Felipe Bressanim Pereira, de 27 anos, mais conhecido como Felca.

Os vídeos viralizaram nas plataformas digitais. No Youtube, os quase cinquenta minutos alcançaram a marca de 50 milhões de visualizações. Outra versão, menor, no Instagram, alcançou mais de 190 milhões. O influenciador tocou em um ‘vespeiro’, como ele mesmo diz: expôs um problema muito sério sobre a exposição e adultização infantil. Poucas semanas após o episódio, o alvoroço permanece. O assunto é delicado, gerou  fortes reações, resistências e até ataques.

O caso mostrou que uma denúncia bem fundamentada pode mudar a agenda pública. De repente, milhões de pessoas falam de adultização de crianças, um tema que já era monitorado por Instituições representadas pelo SINIBREF, mas que ganhou atenção nacional e internacional após a viralização.


O vídeo

Para quem ainda não assistiu o vídeo completo no Youtube, aqui vai uma parte da contextualização. O youtuber conhecido por conteúdos de reação e denúncias de práticas duvidosas no ambiente digital, chega a mostrar um experimento através de um perfil no Instagram: ele passou a curtir fotos de crianças em contextos sugestivos. O resultado foi imediato, o algoritmo da rede social começou a entregar conteúdos de menores de idade em situações que podem atrair pedófilos, evidenciando como as plataformas digitais acabam por conectar redes de exploração infantil.

Assista aqui: adultização


Resultados da viralização

A denúncia ultrapassou fronteiras: já foi destaque no Jornal das 20h da TVI, em Portugal, e ganhou espaço na mídia italiana. “This video is now reaching Italian news! We should all fight together for a safer Internet” (Este vídeo já está chegando aos noticiários italianos. Precisamos todos lutar juntos por uma internet mais segura), comentou a internauta Francesca Polidori. Nos Estados Unidos, canais no YouTube repercutiram a denúncia e reforçaram a urgência de medidas de proteção digital.

No Reino Unido, a plataforma Euro News Week publicou uma reportagem destacando como o vídeo do influenciador brasileiro expôs falhas graves nas redes sociais na proteção de crianças e adolescentes contra a exploração online.

A dimensão do caso também forçou as gigantes tecnológicas a se posicionarem: a Meta (dona do Instagram) afirmou estar revisando suas políticas de moderação de conteúdos envolvendo menores, enquanto o Google, responsável pelo YouTube, declarou que vai ampliar seus mecanismos de monitoramento para coibir a circulação de vídeos que promovam a adultização ou a exploração de crianças.


Lei Felca

No Congresso Nacional, mais de 30 projetos de lei já foram protocolados para combater a adultização digital e criminalizar a exploração infantil online. No dia 17 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o Projeto de Lei 2628/2022, agora convertido na Lei Felca, em referência ao influenciador que trouxe o tema à tona.

A lei estabelece medidas inéditas de proteção a crianças e adolescentes no ambiente digital, criando um marco de responsabilidade para as plataformas de tecnologia. Entre os principais pontos estão:

  • Verificação de idade: criação de mecanismos para impedir que crianças abram contas sem supervisão.
  • Restrições de contato: limitação de interações entre menores e adultos desconhecidos nas redes sociais.
  • Remoção de conteúdos nocivos: obrigação de retirar rapidamente conteúdos abusivos, pornográficos ou que estimulem violência e exploração infantil.
  • Publicidade direcionada: restrição a técnicas abusivas e manipulativas voltadas ao público infantil, incluindo o uso de inteligência artificial e perfis emocionais.

Com a sanção da Lei Felca, o Brasil passa a contar com um instrumento legal robusto para enfrentar a adultização digital, atualizando o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para a realidade das redes sociais e respondendo ao clamor social gerado pela denúncia.

O texto integral da lei pode ser conferido no site da Câmara dos Deputados: Clique aqui


Dados que reforçaram a urgência da lei

Uma pesquisa Datafolha mostra que 9 em cada 10 brasileiros acreditam que as redes sociais fazem menos do que deveriam para proteger crianças online.

Com essa lei, a partir de agora, plataformas digitais terão que assumir seu papel de corresponsabilidade na proteção da infância e adolescência.


Como a Lei Felca vai funcionar na prática

A Lei Felca atinge todos os serviços digitais (redes sociais, aplicativos, programas e jogos eletrônicos) que sejam direcionados a crianças e adolescentes ou que tenham “acesso provável” por esse público.

Outros pontos detalhados pela lei estão:

  • Controle parental: ferramentas configuráveis e acessíveis, obrigatórias para que pais e responsáveis monitorem a atividade de menores; contas de crianças deverão estar vinculadas a responsáveis legais.
  • Design das plataformas: empresas precisarão adotar práticas que considerem o impacto do uso excessivo e do design nocivo (como rolagem infinita, notificações constantes, algoritmos de recomendação de conteúdo impróprio).
  • Critérios de risco: o regulamento posterior definirá critérios objetivos para identificar conteúdos nocivos e como se dará a verificação de idade.
  • Pesquisa e dados: plataformas deverão disponibilizar dados para pesquisa acadêmica sobre os impactos do uso digital por crianças e adolescentes.


Fiscalização e sanções

A lei prevê fiscalização coordenada por órgãos do Governo Federal como: Ministério da Justiça, Ministério dos Direitos Humanos, Ministério das Comunicações e Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

As penalidades previstas são severas, incluem advertência, multas milionárias por infração, suspensão temporária das atividades e proibição de funcionamento em casos extremos.

O prazo previsto para a entrada em vigor das regras é de um ano após a publicação da lei, permitindo adaptação das plataformas.

Denúncias já eram altas antes do vídeo

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) no Senado já vinha registrando aumento nas denúncias antes mesmo da repercussão do vídeo. Segundo a SaferNet Brasil, plataforma de denúncias de crimes cibernéticos operada em parceria com os Ministérios Públicos e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH), entre janeiro e julho de 2025 foram registradas 49.336 denúncias anônimas de abuso e exploração infantil, o que corresponde a 64% de todas as notificações recebidas pelo Canal Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos.

No cenário internacional, um relatório da rede InHope, mostrou que o Brasil saltou da 27ª para a 5ª posição mundial entre países com mais denúncias de abuso infantil online, em um universo de 55 países monitorados. Os dados mostram que essa é uma crise global, que exige respostas conjuntas de governos, empresas de tecnologia e sociedade civil.

Esses indicadores deixam claro: o problema já era grave antes da viralização, mas o vídeo deu visibilidade inédita e ampliou a pressão pública para que medidas concretas fossem tomadas.

Em meio a tudo isso, o influenciador ainda divulgou outro efeito: o aumento de doações para Instituições Beneficentes que atuam na proteção da infância. Segundo Felca, em dados ainda não oficiais, houve crescimento de mais de 2.600% em apenas duas semanas após a publicação do vídeo.


O QUE O SINIBREF E AS INSTITUIÇÕES JÁ FAZEM PELA INFÂNCIA

Para o SINIBREF e para as Instituições Beneficentes e Filantrópicas o caso coloca a proteção da infância no centro do debate, expõe que a sociedade está disposta a ouvir e apoiar casos de vulnerabilidade, e reforça a necessidade de que o sindicato e as Instituições estejam presentes nessas conversas.

Além de pautar debates no Congresso, o SINIBREF tem atuado há anos em favor da defesa da infância. Entre 2024 e 2025, o sindicato distribuiu mais de 25 mil exemplares do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) em eventos, seminários e ações locais, com o apoio de suas unidades estaduais. Essa iniciativa reforça o compromisso institucional com a conscientização sobre os direitos das crianças, o mesmo fundamento que sustenta a urgência da Lei do ECA Digital (ou Lei Felca).

Já as Instituições, são como os braços e pernas do governo, sem elas, o Estado dificilmente teria a capacidade e agilidade necessárias para responder à demanda crescente por proteção e atendimento. Elas desempenham funções como:

Acolhimento e proteção: Instituições oferecem abrigo seguro para crianças em situação de risco, oferecendo apoio educacional e emocional em um ambiente acolhedor e estruturado.

Apoio psicossocial e jurídico: Atendimentos especializados são realizados por profissionais que oferecem suporte psicológico e orientação legal aos tutores. 

Prevenção: Campanhas de sensibilização, ferramentas educativas e a mobilização da comunidade reforçam uma cultura de cuidado, proteção e vigilância ativa, prevenindo novas violações de direitos.

O que podemos aprender com isso

O recado ficou ainda mais claro, transparência e comunicação não são opcionais. O mesmo público que pede explicações de influenciadores, vai exigir ainda mais de Instituições que recebem doações e recursos públicos.

Também podemos aprender que precisamos dar mais atenção ao impacto das redes sociais. Se milhões de pessoas estão mobilizadas contra a adultização, vemos uma oportunidade de aproximação, na qual gestores devem mostrar como as Instituições já fazem esse trabalho de proteção no dia a dia, com prestação de contas e comunicação acessível à sociedade.

E no fim das contas,o que está em jogo não é a gestão de recursos, a criação de leis, o perigo das plataformas ou as estatísticas, é sobre ter uma criança ou um adolescente por trás das denúncias, precisando de proteção. O desafio, portanto, é coletivo: proteger a infância e preservar o futuro.

“Fui uma criança muito sozinha, abandonada. Que não tinha voz e, quando falava, não tinha ninguém para escutar. (…) E fiz isso porque existem crianças e adultos por aí que foram também a criança que fui: sozinha, sem voz. E se ninguém dá voz a essa criança, ela cresce desamparada, sem perspectiva”, Felca no programa ‘Conversa com Bial.’

O SINIBREF como sindicato patronal segue aqui acompanhando de perto, orientando, lutando e buscando por ambientes melhores nas Instituições para que possam realizar com excelência o trabalho de anos que fazem com as crianças e adolescentes.

Os novos hábitos do doador brasileiro

Pesquisa Doação Brasil 2024 revela a nova cara dos doadores brasileiros e o SINIBREF analisa como as Instituições podem motivar mais contribuições

04/09/2025

A quarta edição da Pesquisa Doação Brasil, realizada em 2024 pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) em parceria com o Instituto Ipsos, traz um retrato detalhado dos hábitos de doação dos brasileiros e, também, uma visão de quem doa mais. O estudo divulgado em agosto de 2025 mostra valores, motivações, barreiras e perfis dos doadores, com destaque para o crescimento do volume total doado, mesmo com menos doadores.

O SINIBREF analisou a pesquisa e a somou a outro dado importante já muito falado pelo sindicato, que é o potencial das doações via Imposto de Renda (IR), um recurso ainda pouco explorado que pode transformar o cenário do terceiro setor.

Panorama geral da doação

A pesquisa Doação Brasil 2024 realizou 1.500 entrevistas telefônicas assistidas por computador (CATI), dirigidas a brasileiros com mais de 18 anos e renda familiar acima de um salário-mínimo. A amostra possui abrangência nacional e é representativa das cinco regiões do país, os resultados têm como referência o Censo do IBGE de 2022 e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2024. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos.

A coleta foi realizada entre março e abril de 2025, abrangeu temas como motivação, frequência, formas de doação (bens, tempo ou dinheiro) e a confiança nas Instituições Beneficentes. Esta edição trouxe um capítulo especial dedicado às doações emergenciais, em resposta aos desastres ambientais ocorridos em 2024, como por exemplo, as enchentes ocorridas no Rio Grande do Sul.

De acordo com a pesquisa:

  • 78% dos brasileiros com mais de 18 anos e renda acima de 1 salário-mínimo fizeram algum tipo de doação em 2024

Já quanto aos tipos de doações:

  • 50% doaram dinheiro (sendo 43% doadores institucionais, ou seja, aqueles que doaram valores diretamente para Instituições, obras sociais e campanhas para calamidades). Houve um crescimento desde 2020, quando a taxa era de 41%
  • 67% doaram bens como roupas, alimentos, objetos, entre outros (houve uma queda em relação a 2022, quando foi 75%)
  • 33% doaram tempo trabalhando como voluntários
  • Homens e mulheres doam praticamente na mesma proporção

Volume e valores

Em 2024, o brasileiro se mostrou mais solidário do que nunca, o valor total doado chegou em R$ 24,3 bilhões, número 64% maior em relação a 2022.

Isso, sem falar nas doações via Imposto de Renda, que juntando os Fundos da Criança e do Adolescente (FDCA), mais os Fundos da Pessoa Idosa (FDI), as doações totalizaram cerca de R$ 145,3 milhões.

As doações via IR representaram menos de 2% do total de doações em dinheiro levantadas pela pesquisa, mas o potencial segundo a  Receita Federal poderia ter somado R$ 14,59 bilhões. É por isso que o SINIBREF bate na tecla das doações via IR.

O valor médio de doações que uma pessoa doa por ano aumentou de R$ 300 para R$ 480. Até famílias de 1 a 2 salários-mínimos passaram a doar valores médios entre R$ 151 e R$ 500.

Perfil das pessoas que doam diretamente para Instituições

O doador institucional é aquele que prefere realizar suas contribuições diretamente a uma Instituição. As regiões Norte e Nordeste lideram o ranking.

  • 49% dos brasileiros que doam para Instituições são do Norte
  • 44% são do Nordeste
  • 43% Sudeste
  • 41% Centro-Oeste
  • 37% Sul

Os números representam a proporção de pessoas em cada região, que fizeram doações institucionais dentro da própria região.

O perfil do doador institucional ganhou novos contornos ao apontar dados que chamam atenção. Em 2022, na última pesquisa, doadores com ensino superior somavam 47%, no cenário atual, houve um aumento de 10 pontos percentuais, pessoas com ensino superior alcançaram 57%, o maior índice já registrado.

No quesito renda, os números também são expressivos: 63% dos doadores estão em famílias com mais de 8 salários-mínimos. Entre os de menor renda, porém, também há participação significativa: 27% das famílias com renda entre 1 e 2 salários-mínimos realizaram algum tipo de doação para Instituições, mostrando que a solidariedade é uma prática compartilhada independentemente da renda.

A religião continua desempenhando papel de destaque na mobilização. Os evangélicos lideram com 45% de doadores, seguidos pelos católicos, com 43%. Os ateus, ainda que abaixo da média nacional, registraram um crescimento alcançando 39%. Outras religiões, como espíritas e de matriz afro-brasileira, tiveram crescimento em patamares menores.

Motivações e barreiras para doar

Acreditar na causa é o que mais motiva o indivíduo. Mas fatores pessoais como fazer bem a si mesmo também é um fator de iniciativa.

  • 91% doam por acreditar na causa
  • 89% para fazer bem a si mesmo
  • 87% porque sentem que podem fazer a diferença
  • 81% porque confiam na instituição (uma alta de 6%)
81% das pessoas diz doar porque confia na entidade para a qual doa; colocando a confiança como aspecto decisivo para a doação.

Já quanto às barreiras que impedem as pessoas de doar, muito está relacionado à desconfiança e à transparência (assunto no qual o SINIBREF  falou recentemente):

  • 50% apenas confiam nas Instituições
  • 33% percebem clareza no uso dos recursos
  • 49% já deixaram de doar após notícias negativas
49% das pessoas já deixaram de fazer doação, após saber de alguma notícia negativa relativa ao tema ou à Instituição.

Outras motivações vêm de influência das redes de relacionamento do doador, como:

  • Grupos comunitários/religiosos: 45%
  • Família e amigos: 41%
  • Redes sociais: 15%

Dentre os que doam por influência de conteúdos das redes sociais, o doador do  Instagram é o que gera as maiores contribuições médias. Um doador que viu uma campanha no Instagram, doou em média R$ 1.322. O Linkedin ficou em segundo lugar, doando cerca de R$ 1.152 em média e o WhatsApp em terceiro com doações médias de R$ 1.033.

Curiosidade
Crianças e jovens são a única causa com a qual todos se importam no mundo. Segundo o Relatório Mundial de Doações, da World Giving Report de 2025 realizado em todos os seis continentes do mundo, perguntados sobre as causas finais em que as pessoas mais apoiam por meio de suas doações, crianças e jovens estão entre as 5 principais em todos os continentes.

Situações Emergenciais

Em 2024, o Brasil ficou marcado por pelo menos três situações emergenciais a nível nacional: as enchentes no Rio Grande do Sul entre abril e maio, as secas prolongadas e os incêndios florestais no Pantanal, no Cerrado e na Amazônia. Essas situações foram as mais citadas no estudo.

Entre maio e abril, o Rio Grande do Sul sofreu uma das consideradas mais graves enchentes dos últimos 80 anos. Cerca de 2,4 milhões de pessoas foram atingidas em 478 municípios gaúchos. Cerca  de 442 mil moradores tiveram que deixar suas residências.

Quanto aos incêndios e secas dos biomas, os números bateram recordes. Os focos cresceram em mais de 43% na Amazônia, 64% no Cerrado e 139% no Pantanal, segundo dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). As famílias perderam plantações, gados e moradias, comunidades ribeirinhas sofreram com a escassez de água potável, alimentos e com doenças respiratórias. E a população se engajou. De acordo com a pesquisa:

  • 50% dos brasileiros doaram em algumas dessas emergências de 2024
  • 10% afirmaram que só doam em situações emergenciais
  • 41% doaram bens (alimentos, roupas, móveis, etc)
  • 24% doaram dinheiro
  • 14% tempo em atividades voluntárias
  • 55% ajudaram emergências em outros estados que não o próprio

Perspectivas para o Futuro

As projeções são de que as doações aumentem cerca de 33%. As pessoas que afirmaram manter as doações em 2025 foram 41%. Entre os jovens de 18 a 29 anos, 51% disseram que querem contribuir mais.

Em síntese, a Pesquisa Doação Brasil 2024 mostra um público mais engajado, criterioso e disposto a doar valores maiores. Mas também reforça o que o SINIBREF já vem falando, é preciso aumentar a transparência para que o doador sinta-se mais confiante e motivado.

Lembrando ainda que ao lado de todo esse cenário, o Imposto de Renda representa uma oportunidade ainda pouco explorada que pode ajudar em muito no complemento das contribuições. Cabe às Instituições se engajarem e aproveitarem mais as campanhas de esclarecimento e incentivo do IR para potencializar as ações.
Os aprendizados mais relevantes do estudo nos revelam que houve sim uma queda na base geral de doadores, mas também uma qualificação maior das práticas de doação.Vem aumentando o número de doadores institucionais, a forma como a pesquisa chama pessoas que doam exclusivamente e diretamente  para Instituições. E este público é de maior renda e escolaridade, com valores mais altos e critérios mais exigentes. A confiança deve ser o foco, afinal, o doador quer mais transparência e clareza antes de se comprometer. Com isso, o SINIBREF segue monitorando, capacitando as Instituições e compartilhando informações relevantes para nosso segmento.

4 softwares gratuitos que unem tecnologia e Inteligência Artificial para Instituições Beneficentes

29/08/2025

Instituições Beneficentes, Religiosas e Filantrópicas realizam atendimento social, educacional e de saúde em todo o país. Para apoiar essas organizações, diversas plataformas de tecnologia integrada à inteligência artificial oferecem programas gratuitos ou com descontos especiais, permitindo que ampliem sua capacidade de gestão, comunicação e impacto social.

O SINIBREF separou algumas das principais opções disponíveis, confira:

1. Microsoft para Organizações 

A Microsoft mantém um programa global de apoio a Instituições sem fins econômicos com subsídios e descontos, oferecendo acesso a tecnologia de ponta que pode transformar a gestão e ampliar o impacto social. Entre os benefícios estão as licenças do Microsoft 365, ferramentas de segurança, soluções em nuvem, suporte e recursos para capacitação digital.

Para participar, as Instituições precisam atender a alguns requisitos básicos de elegibilidade como:

  • Reconhecimento legal: possuir status de Instituição Filantrópica de acordo com a legislação do país, ou ser museu ou biblioteca pública;
  • Missão social: comprovar que sua atuação tem como objetivo beneficiar a comunidade de forma ampla, o Estatuto Social pode ser uma comprovação;
  • Compromisso com a ética: garantir adesão à política antidiscriminação da Microsoft;
  • Uso restrito: as licenças devem ser atribuídas apenas à equipe qualificada e utilizadas exclusivamente pela instituição, não podendo ser repassadas à parceiras, afiliadas, organizações-irmãs ou utilizadas por voluntários.

Para saber mais sobre a elegibilidade e iniciar o processo de adesão, clique no botão abaixo:

[Microsoft for Nonprofits]

2. Google for Nonprofits

Com este programa, as organizações têm acesso ao Google Workspace (Gmail, Drive, Meet, Docs e Planilhas), além de créditos mensais para campanhas no Google Ads e benefícios no YouTube.

É uma ótima ferramenta para comunicação institucional, colaboração em nuvem e visibilidade das ações da Instituição.

Os principais produtos oferecidos são:

Google Workspace for Nonprofits: inclui Gmail com domínio próprio, Drive, Docs, Sheets, Slides, Meet e Agenda, promovendo produtividade, colaboração em nuvem e comunicação eficiente.

Google Ad Grants: pode conceder até US$ 10.000 mensais em anúncios no Google Ads, ampliando a visibilidade de campanhas e do site da Instituição.

YouTube Nonprofit Program: Acesso a recursos especiais como botões de doação em vídeos, fortalecendo seu engajamento com o público.

Para participar, a Instituição deve:

  • Estar registrada como organização beneficente ou sem fins lucrativos no Brasil;
  • Mostrar que está em situação regular e ativa conforme leis locais;
  • Ser verificada por um parceiro autorizado, como a Goodstack ou Percent, que confere sua legitimidade.

Organizações que não são elegíveis incluem entidades governamentais, hospitais (exceto fundações vinculadas), escolas ou universidades (que devem recorrer ao Google for Education).

Acesse o site do Google for Nonprofits no botão abaixo, preencha o formulário de inscrição e aguarde a verificação do processo que pode durar de 2 a 14 dias úteis.

[Google for nonprofits]

3. Canva para Instituições

O Canva for Nonprofits oferece acesso gratuito aos recursos premium do Canva Pro para Instituições sem fins econômicos. Segundo a plataforma, mais de 400 mil Instituições pelo mundo já utilizam a licença gratuita. Com ele, a organização pode criar designs profissionais para campanhas, relatórios, redes sociais, apresentações, entre outros materiais visuais digitais ou impressos.

Recursos oferecidos pelo Canva Pro para Instituições:

  • Biblioteca de templates profissionais para postar, informar e divulgar.
  • Ferramentas avançadas: Kit de Marca, Removedor de Fundo, Formato Mágico e outros recursos baseados em IA que ajudam a manter a consistência visual.
  • Funções colaborativas com até 10 membros da equipe, todos com acesso aos mesmos recursos premium.

Como inscrever a Instituição

1. Acesse o site do Canva e clique em “Candidate-se” para iniciar a inscrição.

2. Preencha o formulário de candidatura e envie a documentação que comprove o status legal de sua organização (no Brasil, documentos como CEBAS ou OSCIP são aceitos).

3. A equipe do Canva verifica a elegibilidade e, se aprovado, você recebe um e-mail com a confirmação e o acesso liberado.

[Canva for Nonprofits]

4. TechSoup Brasil

Plataforma que conecta Instituições a licenças de softwares de grandes empresas (Microsoft, Adobe, Norton, entre outras) com gratuidade ou descontos. Além disso, oferece capacitação e suporte tecnológico para a modernização das entidades.

O TechSoup Brasil é parte da TechSoup Global Network, uma rede internacional que conecta Instituições sem fins econômicos a empresas de tecnologia dispostas a doar ou oferecer licenças com valores simbólicos. A iniciativa no Brasil é conduzida em parceria com a Associação Telecentro de Informação e Negócios (ATN).

O que oferece:

  • Acesso a software e serviços de tecnologia como licenças da Microsoft, Adobe, Symantec, Autodesk, Box, E-goi, entre outros, com taxas reduzidas ou gratuitas.
  • Capacitação em tecnologia digital para fortalecer a gestão interna das Instituições e melhorar sua comunicação, segurança e entregas sociais.
  • Plataforma segura de cadastro e solicitação, simplificando o processo de obtenção desses recursos.

O programa é voltado exclusivamente para organizações sem fins econômicos formalmente estabelecidas e em situação regular no Brasil, como associações, fundações ou Instituições registradas que atuem em áreas como educação, assistência social, cultura, saúde, entre outras.

Para se cadastrar, acesse o site oficial da TechSoup Brasil, crie uma conta institucional, preencha o formulário de inscrição e siga as etapas solicitadas, Clique no botão abaixo para começar:

[TechSoup Brasil]

O que o SINIBREF recomenda

Recomendamos que a Instituição avalie qual sua maior necessidade, identifique onde está a principal dificuldade no momento e aí sim, após isso, escolha uma das quatro opções acima para conhecer primeiro. Definida a plataforma, cadastre a Instituição, teste-a e aprenda a usá-la. Com o domínio completo da plataforma, teste outras opções em seguida.

E porque é importante aproveitar a oportunidade e obter alguma das plataformas? É interessante profissionalizar cada vez mais os processos das Instituições. Uma Instituição que antes tinha apenas uma página no Facebook e um celular para responder mensagens pode dar um salto de profissionalização ao acessar essas plataformas. Com elas, é possível ter um e-mail corporativo, que transmite credibilidade em editais e parcerias. Com o Canva, por exemplo, dá para criar posts e relatórios para as redes sociais, com o Google Ads, a Instituição aproveita os créditos gratuitos para anunciar o site da organização no Google, ou seja, incluir a tecnologia e a inteligência artificial pode aumentar a visibilidade das ações e fortalecer a Instituição.

Além disso, o acesso à tecnologia se torna mais democrático, pesquisas já vêm mostrando o quanto os jovens estão cada vez mais engajados com as causas sociais, atrair esse público e tê-los nas Instituições é uma vantagem sabendo que eles têm mais afinidade com a tecnologia. Dessa forma, cria-se uma rede profissional de comunicação e captação de recursos, gerando economia, eficiência e novas oportunidades.

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